O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito para investigar cinco pontos de erosão em uma propriedade rural em Santa Rita do Pardo, município a 245 quilômetros de Campo Grande. A investigação, que se tornou pública nesta terça-feira (21), teve início após uma fiscalização ambiental no local.
De acordo com os autos obtidos pelo Campo Grande News, a área foi vistoriada em janeiro de 2024. Imagens de satélite indicaram possíveis processos erosivos. Durante a inspeção, a equipe encontrou desagregação de partículas do solo e transporte de sedimentos em cinco trechos. A fiscalização atribuiu o avanço das erosões à falta de medidas de conservação.
A propriedade tem cerca de 1.976 hectares, dos quais 1.537 são de pastagens. O plano registra 318 hectares de reserva, 77 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) e pouco mais de cinco hectares incluídos no projeto de recuperação. O relatório apontou risco de prejuízo à qualidade do solo e de cursos d’água próximos.
A responsável pelo imóvel recebeu multa de R$ 19.244 e foi obrigada a apresentar um Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad). A autuação ainda está sob análise administrativa. A defesa contesta a multa, afirmando que as erosões são antigas, estavam estabilizadas e foram causadas por fatores naturais. O documento também diz que os pontos afetados não eram usados para exploração econômica e questiona a legislação aplicada.
O plano entregue ao Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) estima um gasto de R$ 1.658.520,00. As medidas estão previstas até fevereiro de 2032. O cronograma inclui cercamento, curvas de nível, reservatórios para captar água da chuva, encanamento, bebedouros e acompanhamento técnico.
As curvas de nível concentram R$ 684 mil do orçamento e devem alcançar 1.520 hectares. O cercamento de 50 quilômetros de áreas protegidas tem custo estimado em R$ 600 mil. O projeto também reserva R$ 121,5 mil para 16 quilômetros de encanamento, R$ 104 mil para 20 bebedouros e R$ 100 mil para um reservatório.
A proposta combina intervenções com máquinas e recuperação natural da vegetação. As cercas devem impedir o acesso do gado aos pontos afetados e às nascentes. As estruturas para contenção da água devem reduzir o escoamento e ajudar na estabilização do solo.
A investigação do MP solicitou documentos ambientais, dados sobre a regularização do imóvel e informações sobre outras atividades sujeitas a licença. Também abriu a possibilidade de acordo para a recuperação. Ao final, o caso pode resultar em novas exigências, encaminhamento à Justiça ou encerramento da apuração.
