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Como é feito o teste da orelhinha no bebê e quando ele é obrigatório

Recém-nascido dormindo de lado com a orelha em destaque sobre manta branca

O teste da orelhinha é um exame rápido e indolor feito nos primeiros dias de vida, geralmente ainda na maternidade, para checar se o ouvido do bebê responde a estímulos sonoros. Uma sonda pequena é colocada na entrada do canal auditivo, emite sons suaves e registra o retorno da cóclea. Dura poucos minutos, é feito com o bebê dormindo e é gratuito na rede pública.

Como é feito o teste da orelhinha, passo a passo

O nome técnico do exame usado na triagem é emissões otoacústicas evocadas. O princípio é simples: a cóclea, estrutura do ouvido interno, produz um som próprio em resposta ao estímulo recebido. O aparelho envia o estímulo e capta esse eco. Se o retorno aparece dentro do padrão esperado, a triagem é considerada normal.

Na prática, a sequência costuma ser esta:

  1. O bebê é acomodado em berço ou no colo, dormindo ou em sono leve, porque choro e movimento atrapalham a captação
  2. O profissional limpa a região externa da orelha e observa se há resíduo de vérnix ou líquido no canal
  3. Uma sonda macia, do tamanho de uma ponta de caneta, é apoiada na entrada do canal auditivo, sem entrar fundo
  4. O aparelho emite estímulos sonoros de baixa intensidade e registra a resposta
  5. O procedimento é repetido no outro ouvido
  6. O resultado sai na hora, no visor do equipamento, e é anotado na caderneta da criança

Não há agulha nem corte, e o bebê normalmente sequer acorda. O ambiente precisa estar silencioso, por isso a triagem costuma ser feita em sala reservada, e não no quarto com visitas.

Por que o teste é feito tão cedo

A audição é o caminho principal pelo qual a criança aprende a falar. Identificar cedo qualquer alteração permite acompanhamento no período em que o cérebro está mais receptivo à linguagem. Daí a recomendação de fazer a triagem ainda na maternidade e, quando não for possível, até o primeiro mês de vida.

O teste é obrigatório?

Sim. Legislação federal determina a realização gratuita da triagem auditiva neonatal nos hospitais e maternidades que fazem parto no país, valendo para a rede pública e a privada. Se a maternidade não ofereceu, o responsável registra o pedido na própria unidade e procura a unidade básica de saúde para encaminhamento.

O que significa "falha" no primeiro teste

Resultado com indicação de falha, às vezes registrado como "resposta ausente" ou "reteste", não é diagnóstico de surdez. É um sinal de que o aparelho não captou a resposta esperada naquela tentativa, o que acontece por motivos simples e temporários:

  • Resíduo de vérnix ou líquido amniótico no canal auditivo, comum nas primeiras 24 horas
  • Bebê agitado, chorando ou mamando durante o exame
  • Ruído no ambiente onde a triagem foi feita
  • Sonda mal posicionada, sem vedar a entrada do canal

Nesses casos, o serviço agenda repetição em poucos dias ou semanas, e a maioria dos bebês passa sem alteração na segunda tentativa. O que não se deve fazer é ignorar o reteste: a falta ao retorno é o principal motivo de atraso na identificação de perda auditiva.

Quando entra o exame complementar

Se a repetição também não trouxer resposta dentro do padrão, o caso vai para avaliação especializada com fonoaudiólogo e otorrinolaringologista. O exame complementar mais citado é o BERA, também chamado de PEATE, que avalia a resposta elétrica da via auditiva até o tronco cerebral. Também é indolor, feito com eletrodos na pele e fones, com o bebê dormindo, e leva mais tempo que a triagem inicial.

Bebês com fatores de risco, como internação prolongada em UTI neonatal, histórico familiar de perda auditiva ou infecções congênitas, costumam ser encaminhados direto para avaliação mais completa e acompanhamento periódico, mesmo com triagem normal. Quem define isso é a equipe que acompanha a criança.

Comparativo dos quatro testes do recém-nascido

Teste O que investiga Quando é feito Como é feito
Teste da orelhinha Resposta auditiva do ouvido interno, triagem de perda de audição Primeiros dias de vida, ainda na maternidade Sonda na entrada do canal auditivo, com estímulo sonoro suave. Indolor
Teste do pezinho Doenças metabólicas, genéticas e endocrinológicas sem sinal no exame físico Em geral entre o terceiro e o quinto dia de vida Picada no calcanhar e gotas de sangue em papel filtro, enviado ao laboratório
Teste do olhinho Alterações na transparência do eixo visual, como catarata congênita Na maternidade e repetido nas consultas do primeiro ano Feixe de luz do oftalmoscópio nos olhos, observando o reflexo vermelho
Teste do coraçãozinho Cardiopatias congênitas críticas, por medida da oxigenação do sangue Entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar Sensor de oxímetro no pulso direito e em um dos pés, comparando os valores. Indolor

Os quatro compõem o pacote básico de triagem neonatal e nenhum substitui o outro. Todos devem estar registrados na caderneta da criança, com data e resultado. Se algum campo estiver em branco na alta, pergunte antes de sair da maternidade.

Quanto custa na rede privada

Na rede pública o exame é gratuito. Na rede privada, quando cobrado fora do pacote de parto, o teste da orelhinha costuma aparecer em uma faixa de valores relativamente baixa quando comparado a outros exames de imagem, algo entre poucas dezenas e cerca de duas centenas de reais na maioria das clínicas de fonoaudiologia, variando bastante por cidade e por serviço. O BERA, por ser mais longo e exigir estrutura maior, sai em faixa superior.

Planos de saúde geralmente cobrem a triagem auditiva neonatal por se tratar de procedimento previsto na cobertura obrigatória. Vale confirmar com a operadora antes, porque a exigência de pedido médico e a rede credenciada mudam de contrato para contrato. Guarde o comprovante e o laudo: eles são pedidos depois, em consultas de acompanhamento e em avaliações escolares.

Se a maternidade não ofereceu o exame

Acontece, principalmente em unidades menores ou quando o parto ocorre fora do hospital de referência. O caminho é este:

  • Registre por escrito, na própria unidade, que a triagem não foi realizada, e peça anotação na caderneta
  • Procure a unidade básica de saúde da sua região para encaminhamento à rede de triagem auditiva do município
  • Se houver dificuldade de agendamento, procure a ouvidoria da secretaria municipal de saúde
  • Faça o exame o quanto antes, mesmo que já tenha passado o primeiro mês, porque a triagem tardia ainda é útil

Esse tipo de exigência com prazo curto é comum em serviços públicos e costuma pegar as pessoas de surpresa, do mesmo jeito que os prazos do cadastro eleitoral surpreendem quem deixa para trocar o local de votação pela internet em cima da hora. Anote as datas na caderneta e resolva com folga.

Este texto é informativo e de serviço. Ele não substitui a avaliação de profissional de saúde: qualquer dúvida sobre o resultado do exame do seu filho deve ser levada ao pediatra, ao fonoaudiólogo ou ao otorrinolaringologista que acompanha a criança.

Sinais de atenção no primeiro ano

Triagem normal na maternidade não encerra o acompanhamento, porque parte das perdas auditivas aparece depois, por infecção, uso de medicamento ou causa genética de manifestação tardia. Os responsáveis devem comentar com o pediatra se a criança não se assusta com sons altos, não vira a cabeça procurando a origem do barulho por volta dos seis meses, não balbucia ou fica em silêncio prolongado quando antes vocalizava.

Não se trata de fazer diagnóstico em casa, e sim de relatar o que se observa na consulta de rotina. Quem quiser entender outros exames que circulam com muita desinformação na internet pode ler a reportagem sobre como fazer teste de DNA caseiro, que separa o que o kit realmente entrega do que é promessa de veja o campo de Marketing. Para acompanhar campanhas de triagem e mutirões de saúde na sua cidade, a chave de Notícias.

Perguntas frequentes sobre como é feito o teste da orelhinha

O teste da orelhinha dói no bebê?

Não. O exame não usa agulha e não invade o canal auditivo. Uma sonda macia é apoiada na entrada da orelha e emite sons de baixa intensidade, semelhantes a um ruído suave. A maioria dos bebês continua dormindo durante todo o procedimento, que leva apenas alguns minutos em cada ouvido.

Falha no teste significa que meu filho é surdo?

Não significa. A falha indica apenas que o aparelho não captou a resposta esperada naquela tentativa, o que costuma ocorrer por resíduo no canal auditivo, choro ou ruído no ambiente. A conduta padrão é repetir o exame em poucos dias. Só a avaliação especializada, com exames complementares, pode concluir algo sobre a audição.

Preciso pagar pelo teste da orelhinha?

Na rede pública o exame é gratuito e a triagem auditiva neonatal é obrigatória nas maternidades por determinação legal. Em serviços privados, quando cobrado fora do pacote de parto, o valor costuma ser baixo comparado a exames de imagem, e planos de saúde em geral cobrem o procedimento. Confirme as condições com a operadora.

Até quando o teste pode ser feito?

O ideal é ainda na maternidade, nos primeiros dias de vida, e no máximo até o primeiro mês. Se esse prazo passou, o exame continua sendo útil e deve ser feito assim que possível, com encaminhamento pela unidade básica de saúde. Quanto mais cedo, melhor o acompanhamento do desenvolvimento da linguagem.

Qual a diferença entre o teste da orelhinha e o BERA?

O teste da orelhinha é a triagem inicial e mede a resposta da cóclea a estímulos sonoros. O BERA, também chamado PEATE, avalia a resposta elétrica de toda a via auditiva até o tronco cerebral, com eletrodos na pele e fones. É mais demorado, mais detalhado e usado quando a triagem inicial precisa ser complementada.

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