Como é feito o teste da orelhinha no bebê e quando ele é obrigatório

O teste da orelhinha é um exame rápido e indolor feito nos primeiros dias de vida, geralmente ainda na maternidade, para checar se o ouvido do bebê responde a estímulos sonoros. Uma sonda pequena é colocada na entrada do canal auditivo, emite sons suaves e registra o retorno da cóclea. Dura poucos minutos, é feito com o bebê dormindo e é gratuito na rede pública.
Como é feito o teste da orelhinha, passo a passo
O nome técnico do exame usado na triagem é emissões otoacústicas evocadas. O princípio é simples: a cóclea, estrutura do ouvido interno, produz um som próprio em resposta ao estímulo recebido. O aparelho envia o estímulo e capta esse eco. Se o retorno aparece dentro do padrão esperado, a triagem é considerada normal.
Na prática, a sequência costuma ser esta:
- O bebê é acomodado em berço ou no colo, dormindo ou em sono leve, porque choro e movimento atrapalham a captação
- O profissional limpa a região externa da orelha e observa se há resíduo de vérnix ou líquido no canal
- Uma sonda macia, do tamanho de uma ponta de caneta, é apoiada na entrada do canal auditivo, sem entrar fundo
- O aparelho emite estímulos sonoros de baixa intensidade e registra a resposta
- O procedimento é repetido no outro ouvido
- O resultado sai na hora, no visor do equipamento, e é anotado na caderneta da criança
Não há agulha nem corte, e o bebê normalmente sequer acorda. O ambiente precisa estar silencioso, por isso a triagem costuma ser feita em sala reservada, e não no quarto com visitas.
Por que o teste é feito tão cedo
A audição é o caminho principal pelo qual a criança aprende a falar. Identificar cedo qualquer alteração permite acompanhamento no período em que o cérebro está mais receptivo à linguagem. Daí a recomendação de fazer a triagem ainda na maternidade e, quando não for possível, até o primeiro mês de vida.
O teste é obrigatório?
Sim. Legislação federal determina a realização gratuita da triagem auditiva neonatal nos hospitais e maternidades que fazem parto no país, valendo para a rede pública e a privada. Se a maternidade não ofereceu, o responsável registra o pedido na própria unidade e procura a unidade básica de saúde para encaminhamento.
O que significa "falha" no primeiro teste
Resultado com indicação de falha, às vezes registrado como "resposta ausente" ou "reteste", não é diagnóstico de surdez. É um sinal de que o aparelho não captou a resposta esperada naquela tentativa, o que acontece por motivos simples e temporários:
- Resíduo de vérnix ou líquido amniótico no canal auditivo, comum nas primeiras 24 horas
- Bebê agitado, chorando ou mamando durante o exame
- Ruído no ambiente onde a triagem foi feita
- Sonda mal posicionada, sem vedar a entrada do canal
Nesses casos, o serviço agenda repetição em poucos dias ou semanas, e a maioria dos bebês passa sem alteração na segunda tentativa. O que não se deve fazer é ignorar o reteste: a falta ao retorno é o principal motivo de atraso na identificação de perda auditiva.
Quando entra o exame complementar
Se a repetição também não trouxer resposta dentro do padrão, o caso vai para avaliação especializada com fonoaudiólogo e otorrinolaringologista. O exame complementar mais citado é o BERA, também chamado de PEATE, que avalia a resposta elétrica da via auditiva até o tronco cerebral. Também é indolor, feito com eletrodos na pele e fones, com o bebê dormindo, e leva mais tempo que a triagem inicial.
Bebês com fatores de risco, como internação prolongada em UTI neonatal, histórico familiar de perda auditiva ou infecções congênitas, costumam ser encaminhados direto para avaliação mais completa e acompanhamento periódico, mesmo com triagem normal. Quem define isso é a equipe que acompanha a criança.
Comparativo dos quatro testes do recém-nascido
| Teste | O que investiga | Quando é feito | Como é feito |
|---|---|---|---|
| Teste da orelhinha | Resposta auditiva do ouvido interno, triagem de perda de audição | Primeiros dias de vida, ainda na maternidade | Sonda na entrada do canal auditivo, com estímulo sonoro suave. Indolor |
| Teste do pezinho | Doenças metabólicas, genéticas e endocrinológicas sem sinal no exame físico | Em geral entre o terceiro e o quinto dia de vida | Picada no calcanhar e gotas de sangue em papel filtro, enviado ao laboratório |
| Teste do olhinho | Alterações na transparência do eixo visual, como catarata congênita | Na maternidade e repetido nas consultas do primeiro ano | Feixe de luz do oftalmoscópio nos olhos, observando o reflexo vermelho |
| Teste do coraçãozinho | Cardiopatias congênitas críticas, por medida da oxigenação do sangue | Entre 24 e 48 horas de vida, antes da alta hospitalar | Sensor de oxímetro no pulso direito e em um dos pés, comparando os valores. Indolor |
Os quatro compõem o pacote básico de triagem neonatal e nenhum substitui o outro. Todos devem estar registrados na caderneta da criança, com data e resultado. Se algum campo estiver em branco na alta, pergunte antes de sair da maternidade.
Quanto custa na rede privada
Na rede pública o exame é gratuito. Na rede privada, quando cobrado fora do pacote de parto, o teste da orelhinha costuma aparecer em uma faixa de valores relativamente baixa quando comparado a outros exames de imagem, algo entre poucas dezenas e cerca de duas centenas de reais na maioria das clínicas de fonoaudiologia, variando bastante por cidade e por serviço. O BERA, por ser mais longo e exigir estrutura maior, sai em faixa superior.
Planos de saúde geralmente cobrem a triagem auditiva neonatal por se tratar de procedimento previsto na cobertura obrigatória. Vale confirmar com a operadora antes, porque a exigência de pedido médico e a rede credenciada mudam de contrato para contrato. Guarde o comprovante e o laudo: eles são pedidos depois, em consultas de acompanhamento e em avaliações escolares.
Se a maternidade não ofereceu o exame
Acontece, principalmente em unidades menores ou quando o parto ocorre fora do hospital de referência. O caminho é este:
- Registre por escrito, na própria unidade, que a triagem não foi realizada, e peça anotação na caderneta
- Procure a unidade básica de saúde da sua região para encaminhamento à rede de triagem auditiva do município
- Se houver dificuldade de agendamento, procure a ouvidoria da secretaria municipal de saúde
- Faça o exame o quanto antes, mesmo que já tenha passado o primeiro mês, porque a triagem tardia ainda é útil
Esse tipo de exigência com prazo curto é comum em serviços públicos e costuma pegar as pessoas de surpresa, do mesmo jeito que os prazos do cadastro eleitoral surpreendem quem deixa para trocar o local de votação pela internet em cima da hora. Anote as datas na caderneta e resolva com folga.
Este texto é informativo e de serviço. Ele não substitui a avaliação de profissional de saúde: qualquer dúvida sobre o resultado do exame do seu filho deve ser levada ao pediatra, ao fonoaudiólogo ou ao otorrinolaringologista que acompanha a criança.
Sinais de atenção no primeiro ano
Triagem normal na maternidade não encerra o acompanhamento, porque parte das perdas auditivas aparece depois, por infecção, uso de medicamento ou causa genética de manifestação tardia. Os responsáveis devem comentar com o pediatra se a criança não se assusta com sons altos, não vira a cabeça procurando a origem do barulho por volta dos seis meses, não balbucia ou fica em silêncio prolongado quando antes vocalizava.
Não se trata de fazer diagnóstico em casa, e sim de relatar o que se observa na consulta de rotina. Quem quiser entender outros exames que circulam com muita desinformação na internet pode ler a reportagem sobre como fazer teste de DNA caseiro, que separa o que o kit realmente entrega do que é promessa de veja o campo de Marketing. Para acompanhar campanhas de triagem e mutirões de saúde na sua cidade, a chave de Notícias.
Perguntas frequentes sobre como é feito o teste da orelhinha
O teste da orelhinha dói no bebê?
Não. O exame não usa agulha e não invade o canal auditivo. Uma sonda macia é apoiada na entrada da orelha e emite sons de baixa intensidade, semelhantes a um ruído suave. A maioria dos bebês continua dormindo durante todo o procedimento, que leva apenas alguns minutos em cada ouvido.
Falha no teste significa que meu filho é surdo?
Não significa. A falha indica apenas que o aparelho não captou a resposta esperada naquela tentativa, o que costuma ocorrer por resíduo no canal auditivo, choro ou ruído no ambiente. A conduta padrão é repetir o exame em poucos dias. Só a avaliação especializada, com exames complementares, pode concluir algo sobre a audição.
Preciso pagar pelo teste da orelhinha?
Na rede pública o exame é gratuito e a triagem auditiva neonatal é obrigatória nas maternidades por determinação legal. Em serviços privados, quando cobrado fora do pacote de parto, o valor costuma ser baixo comparado a exames de imagem, e planos de saúde em geral cobrem o procedimento. Confirme as condições com a operadora.
Até quando o teste pode ser feito?
O ideal é ainda na maternidade, nos primeiros dias de vida, e no máximo até o primeiro mês. Se esse prazo passou, o exame continua sendo útil e deve ser feito assim que possível, com encaminhamento pela unidade básica de saúde. Quanto mais cedo, melhor o acompanhamento do desenvolvimento da linguagem.
Qual a diferença entre o teste da orelhinha e o BERA?
O teste da orelhinha é a triagem inicial e mede a resposta da cóclea a estímulos sonoros. O BERA, também chamado PEATE, avalia a resposta elétrica de toda a via auditiva até o tronco cerebral, com eletrodos na pele e fones. É mais demorado, mais detalhado e usado quando a triagem inicial precisa ser complementada.


