O comportamento dos pais na porta das escolas, especialmente nas particulares, tem se repetido diariamente: carros em fila dupla ou tripla, motoristas ocupando faixas inteiras de rolamento, crianças desembarcando pelo lado do trânsito e buzinas impacientes. A cena, comum nos horários de entrada e saída, ocorre para economizar dois minutos de caminhada ou garantir que o filho pare o mais perto possível do portão.
O que muitos veem como uma infração de trânsito comum e uma “pequena esperteza” é, na avaliação do professor Carlos Alberto Rezende, uma aula prática de cidadania. Para ele, a lição passada às crianças é clara: o conforto individual está acima das regras e do bem-estar coletivo. Ao desembarcar no meio da rua e ignorar a faixa de pedestres, o adulto transmite uma mensagem de exclusivismo. A criança cresce entendendo que é especial demais para andar um quarteirão, que as leis foram feitas para os outros e que o espaço público é uma extensão da sua conveniência privada.
O resultado dessa “pedagogia do privilégio”, segundo o professor, aparece anos depois. A mesma criança, agora adulta, estaciona em vagas reservadas para idosos ou pessoas com deficiência, para na vaga de amamentação “só por um minutinho”, fura filas e reage com agressividade ao ser contrariada. O comportamento reflete uma sociedade individualista e sem senso comunitário.
Os pais costumam cobrar das escolas uma educação de excelência com valores morais e cívicos. No entanto, o autor do texto aponta que a educação pelo exemplo começa no banco do motorista. Estacionar um pouco mais longe, dar a mão ao filho, caminhar até a escola e atravessar na faixa de pedestres tem um valor pedagógico grande. Ensina empatia, respeito às leis, paciência e a noção de que se vive em sociedade.
Para o colunista, se o objetivo é ter adultos conscientes e éticos no futuro, é preciso corrigir atitudes no presente. O trânsito na porta da escola não é só uma questão de mobilidade urbana, mas um espelho do tipo de ser humano que está sendo criado para o amanhã.
Colunista defende que exemplo dos pais é chave para formar cidadãos
Carlos Alberto Rezende, conhecido como Professor Carlão, assina a coluna “Ensinar Juntos” e defende que a formação de cidadãos começa com atitudes simples no dia a dia. Ele argumenta que atos como parar o carro em local adequado e caminhar com a criança até a escola ensinam valores como empatia e respeito às leis. A coluna foi publicada no dia 28 de julho de 2026.
