Quase dois anos após o acidente que matou o motoentregador Hudson de Oliveira Ferreira, a esposa da vítima, Kelly Patricia Ferreira Coelho, disse que reviver o caso na Justiça tem sido um sofrimento. Em depoimento em audiência de instrução, ela afirmou que “continua vendo toda a cena e lembrando de tudo o que aconteceu”. As imagens do marido caído no chão ainda voltam à sua memória.
“São perguntas semelhantes às que já foram feitas durante a investigação, na delegacia, mas quando você precisa falar sobre tudo novamente, acaba revivendo aquele momento várias vezes. É muito difícil. Enquanto eu estava ali, parecia que um filme passava pela minha cabeça”, disse Kelly.
Ela também falou sobre a dificuldade de ficar diante do condutor do veículo, o empresário Arthur Torres Rodrigues Navarro. Kelly destacou que o réu segue a vida normalmente em liberdade e que o marido estava trabalhando, parado para fazer uma entrega, no momento da colisão.
A defesa de Arthur, feita pelo advogado Lucas Rosa, sustenta a tese de inocência e aponta duas quebras de nexo causal no processo. A primeira alega que a velocidade do veículo não alterou o resultado e que o acidente ocorreria da mesma forma. A defesa argumenta que o condutor não provocou a batida.
A segunda tese indica que a morte do motoentregador não foi causada pelo impacto, mas pelo modo como a vítima recebeu atendimento depois do acidente. A defesa anexou pareceres de peritos particulares ao processo. Uma nova audiência está marcada para o dia 3 de julho, para ouvir mais uma testemunha e interrogar o acusado.
A assistência de acusação, representada pela advogada Janice Andrade, rebate a versão da defesa. Ela afirma que os laudos técnicos oficiais da Polícia Civil e dos peritos do Estado apontam a velocidade incompatível como fator determinante para a morte. Segundo a acusação, o veículo trafegava a cerca de 89 km/h em uma via com limite de 40 km/h, na Rua Antônio Maria Coelho.
A advogada também disse que o condutor deixou o local sem prestar assistência e que o carro foi levado para conserto em uma oficina particular, sem acionar o seguro. Para a acusação, isso demonstraria intenção de ocultar os fatos. Os laudos oficiais, segundo a acusação, têm maior peso que os pareceres particulares da defesa no processo, que tem quase três mil páginas.
