Nos últimos dez anos, 71.853 casos de violência contra mulheres e meninas foram registrados em Mato Grosso do Sul. As notificações incluem 33.216 de violência física, 9.986 de violência psicológica e moral e 5.918 de violência sexual, segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) divulgados pela SES (Secretaria de Estado de Saúde).
A maioria das vítimas tem ensino fundamental incompleto, com 12.136 notificações entre a 5ª e a 8ª série. A população parda foi a que mais precisou de atendimento, com 34.025 registros. Foram também 24.366 casos envolvendo mulheres brancas e 5.504 contra indígenas.
A SES informou que, entre 2015 e 2025, foram 121.308 notificações de violência em geral, considerando homens e mulheres. Ao analisar os casos femininos, a pasta destacou um cenário preocupante, com violência atingindo mulheres de diferentes idades, escolaridade e contextos sociais, principalmente dentro do convívio familiar.
A violência física contra mulheres adultas representa 75% dos casos. Cerca de 16 mil ocorrências foram cometidas por pessoas próximas, como cônjuges e ex-cônjuges, que lideram as notificações.
A assistente social Patrícia Ferreira, do Humap (Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian) da UFMS, explicou que o primeiro atendimento ocorre nas UPAs. Em casos de violência sexual, são realizadas profilaxias para prevenir infecções sexualmente transmissíveis. Para crianças e adolescentes, o Conselho Tutelar é acionado. Quando a vítima é mulher, há orientação para formalizar a denúncia. Todos os atendimentos são registrados no Sinan e, após confirmação, encaminhados à atenção primária do município, responsável pelo acompanhamento.
Patrícia Ferreira destacou a necessidade de reduzir os números e comparou o aumento dos casos a uma pandemia. “Espero que a gente consiga fazer movimentos para diminuir, a gente precisa diminuir o número de violências no nosso Estado”, afirmou.
A Secretaria de Saúde reforça que denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, que atende 24 horas, e em situações de risco imediato, pelo 190.
