A ciência moderna tem mostrado que a saúde do corpo não deve ser vista de forma fragmentada. Uma das conexões mais relevantes para quem busca longevidade é a relação entre a saúde bucal e a integridade do cérebro. De acordo com o Dr. Marco Polo Siebra, uma inflamação silenciosa na gengiva pode ser o estopim para problemas graves no sistema nervoso.
A periodontite, que é uma inflamação severa dos tecidos que sustentam os dentes, não é um problema localizado. Ela age como uma “ferida aberta” que permite a entrada de bactérias e mediadores inflamatórios na corrente sanguínea. A neurociência indica que essas substâncias podem atravessar a barreira hematoencefálica, que é a proteção natural do cérebro.
Uma vez dentro do sistema nervoso, esses agentes inflamatórios ativam as células de defesa do cérebro, chamadas de micróglia. Em estado constante de alerta, essas células podem produzir substâncias neurotóxicas. Esse processo, conhecido como neuroinflamação, é um acelerador do declínio cognitivo e está ligado ao desenvolvimento de doenças como o Alzheimer.
O Dr. Marco Polo Siebra, que acompanha famílias pelo Grupo de Apoio Alzheimer MS, em Mato Grosso do Sul, observa que a higiene bucal é frequentemente negligenciada após o diagnóstico de demência. A falta de cuidado oral pode acelerar a perda de memória e a confusão mental, criando um ciclo vicioso para o paciente e o cuidador.
Cuidar da boca é uma estratégia de neuroproteção. Tratar a periodontite e manter a gengiva saudável reduz a carga inflamatória do corpo. Três orientações são fundamentais para proteger essa conexão: gengiva que sangra ao escovar é sinal de inflamação e precisa de intervenção profissional; o uso diário do fio dental é a principal barreira contra a neuroinflamação; e para quem tem mais de 60 anos, as consultas preventivas devem focar na saúde dos tecidos moles e na gestão da saliva.
