A sul-mato-grossense Mariana Barbosa de Jesus, de 37 anos, treinava para correr a Maratona de Dubai quando descobriu que seria mãe de trigêmeas. Personal trainer, professora de yoga e mestra reikiana, ela se mudou para os Emirados Árabes com o marido, o lutador Nicholas Favaretto, que foi contratado para um projeto de jiu-jítsu no exército e nas escolas locais. A gravidez aconteceu de forma natural, sem fertilização.
“Nem ácido fólico eu tinha tomado. Eu estava treinando para a maratona, tomei vinho dias antes e estava tudo certo”, disse Mariana. Ela imaginava que viveria um período tranquilo nos Emirados, mas tudo mudou após uma consulta médica. O obstetra fez um ultrassom e, inicialmente, disse: “Two babies”. Depois, olhou novamente e completou: “Maybe three”.
Natural de Mato Grosso do Sul, Mariana se mudou para Abu Dhabi no ano passado. A adaptação ao novo país trouxe desafios, como o bioma diferente. “Aqui você vê areia, areia, areia. Não tem o verde que a gente está acostumado no Brasil”, contou. Ela nunca sofreu preconceito, mas precisou se adaptar aos costumes locais, como usar um xale para se sentir menos exposta.
A gravidez foi acompanhada por uma equipe especializada em medicina fetal em um hospital de referência. O plano de saúde cobriu todos os custos. As trigêmeas nasceram prematuras e passaram pela UTI neonatal. A última a receber alta foi Alma, que ficou internada por 86 dias. “O mais difícil foi ir para casa sem as meninas”, disse Mariana.
Ela enfrentou a rotina sozinha enquanto o marido trabalhava. “Pegava táxi, ia para o hospital, ficava o dia inteiro lá, voltava para casa e seguia na rotina de ordenha”, relatou. Apesar das dificuldades, Mariana manteve o bom humor. “Sorrir é sempre o melhor remédio”, afirmou.
Hoje, a família pretende manter as tradições brasileiras em casa. “O churrasquinho de domingo tem que existir”, brincou. Mariana faz questão de reforçar as raízes das filhas. “Elas não são árabes, são pantaneiras. Eu falo que são emiradenses pantaneiras.” Ela concluiu: “O amor não foi dividido. Foi multiplicado.”
