Uma advogada de 53 anos registrou um boletim de ocorrência na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro, em Campo Grande, contra a artista plástica Daniele Santana Gomes, de 32 anos, conhecida nas redes sociais como “Coach Irônica”. O documento aponta os crimes de ameaça, difamação e perseguição (stalking).
De acordo com o registro policial, a defensora prestou serviços jurídicos para a cliente e conseguiu sua libertação em um procedimento anterior. Após a soltura, a mulher passou a fazer exigências incompatíveis com a advocacia. Entre os pedidos, estava o envio de mensagens com ameaças a um delegado de polícia, sobre a divulgação de supostos fatos desabonadores contra a equipe policial caso determinadas providências não fossem tomadas.
A comunicante revelou que a investigada apresentava relatórios e peças criados por aplicativos de inteligência artificial, com teses jurídicas inadequadas, e pressionava para que o material fosse anexado aos autos judiciais. A profissional recusou a inclusão dos documentos. A cliente também fazia acusações sem provas contra promotores de Justiça, tentando usar a advogada para propagar as alegações.
Diante das recusas, a autora iniciou ataques à honra da jurista. Daniele passou a divulgar entre amigos e clientes da advogada boatos sobre falsos relacionamentos afetivos dela com integrantes do Poder Judiciário e da Polícia Civil, além de comentários sobre sua orientação sexual.
Ainda segundo a denúncia, a investigada espalhou a versão de que o próprio namorado havia tentado o suicídio por causa da defensora. A vítima esclareceu à polícia que a informação é mentira e que o homem na verdade sofreu uma overdose, ocasião em que ela própria prestou socorro e o levou a um posto de saúde.
Diante das ofensas e da ameaça de divulgação de vídeos com conteúdo íntimo, a advogada representou criminalmente contra a ex-cliente na Polícia Civil. O caso segue em apuração.
A artista plástica e influenciadora Daniele Santana Gomes acumula um histórico de registros policiais por perseguição digital e ataques à honra. Em janeiro deste ano, a investigada foi presa em flagrante no 2º Distrito Policial de Campo Grande após descumprir uma medida protetiva de urgência que beneficiava a própria sogra e a cunhada. Ela conseguiu liberdade provisória semanas depois, em fevereiro. A Polícia Civil e a Justiça também apuram denúncias de que a “Coach Irônica” atuaria produzindo conteúdo e ataques virtuais mediante encomenda e financiamento.
A reportagem entrou em contato com Daniele, que pediu o prazo de um dia para enviar um posicionamento. O espaço segue aberto.
