As balsas que fazem a travessia entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, não veem a Ponte Bioceânica como uma ameaça. Mesmo com a nova estrutura sendo construída ao lado, os operadores das duas embarcações acreditam que continuarão sendo uma alternativa rápida para quem precisa cruzar o Rio Paraguai.
A expectativa é do coordenador das viagens das balsas, Carlos Araújo, de 62 anos. “Pode até perder um pouco do movimento, mas não tanto. Porque muitas pessoas não vão querer esperar, vai ter muitos carros para passar, aí muitos vão estar com pressa e vão vir aqui”, disse ele ao Campo Grande News na manhã desta quinta-feira (23).
Segundo o coordenador, nos dias movimentados cerca de 10 carros usam a balsa para cruzar o rio. Ontem, por exemplo, ele contabilizou 15 viagens. O movimento se deu pela cerimônia que oficializaria o “beijo” da Ponte Bioceânica, cancelada devido às condições climáticas adversas na região.
Além da perspectiva de filas pelo aumento do trânsito, Carlos acredita que o trajeto pela Rota Bioceânica também deve ser mais lento por causa da fiscalização. O projeto do Corredor prevê a implantação de um Centro Aduaneiro Integrado entre Brasil e Paraguai, nos moldes do existente na fronteira entre São Borja, no Rio Grande do Sul, e Santo Tomé, na Argentina.
Para o coordenador, a maior vantagem da balsa será o tempo, com uma travessia de cerca de 15 minutos. Porém, a concorrência ainda deve demorar para chegar. Além da conclusão da Ponte, prevista para o segundo semestre deste ano, o Corredor funcionará plenamente com a conclusão dos acessos paraguaios e brasileiros, que devem ser entregues apenas em 2027.
Ainda não está claro como será o trâmite de quem buscar a alternativa nas balsas. O ponto indefinido é como será feito o controle na própria ponte. Não está claro se Brasil e Paraguai terão postos separados, se haverá fiscalização conjunta ou se parte dos procedimentos será concentrada em um único complexo de fronteira.
Na balsa, a fiscalização acontece nos terminais de embarque ou desembarque. Passageiros, veículos e cargas podem passar por controle migratório e aduaneiro antes de entrar na embarcação ou logo depois de chegar ao outro país. São controles diferentes: a migração verifica documentos das pessoas, a aduana controla mercadorias e bagagens, e a fiscalização sanitária e agropecuária verifica alimentos e animais.
Corredor Bioceânico
A construção da Ponte Bioceânica é uma das obras para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de Rota de Integração Latino-Americana (RILA) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio. A rota terá mais de 3,2 mil quilômetros, conectando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
Porto Murtinho será a porta de entrada da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é transformar o corredor em uma via de escoamento de produtos e circulação de mercadorias entre a América do Sul e os mercados asiáticos. O potencial é de reduzir em até 30% os custos logísticos e em até 15 dias o tempo de transporte em relação às rotas marítimas tradicionais, como a do Canal do Panamá.
