O ex-secretário de Infraestrutura de Campo Grande, Rudi Fiorese, assinou empenhos, reajustes e aditivos que somam ao menos R$ 15,8 milhões em favor da Construtora Rial Ltda. durante os três meses em que comandou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). A empresa é ligada a um empresário preso na Operação “Buraco Sem Fim”, do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), deflagrada na terça-feira (12). Fiorese, que também é investigado, está preso.
Fiorese assumiu o cargo de diretor-presidente da Agesul em 2 de fevereiro deste ano. A demissão dele foi oficializada nesta quarta-feira (12), um dia após a operação que investiga um suposto esquema de fraudes em contratos de tapa-buraco na Capital. A investigação aponta suspeita de manipulação de medições, pagamentos por serviços não executados e desvios de recursos públicos. Segundo o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), os contratos da Prefeitura de Campo Grande que passarão por pente-fino somam R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025.
As apurações do Gecoc não atingem contratações feitas pelo Governo de Mato Grosso do Sul, mas publicações no DOE (Diário Oficial do Estado) mostram que Fiorese assinou uma sequência de atos administrativos envolvendo a Rial entre fevereiro e maio deste ano. Entre eles, estão empenhos para manutenção de rodovias estaduais em Três Lagoas e Camapuã, além de liberações relacionadas à obra de drenagem e pavimentação do Bairro Otaviano Pereira, em Jaraguari.
Em fevereiro, foram autorizados valores de R$ 1,5 milhão, R$ 500 mil, R$ 622 mil, R$ 1,1 milhão, R$ 85 mil e R$ 1,2 milhão. Em março, novos empenhos somaram mais de R$ 6 milhões. Já em abril, a Agesul autorizou outro empenho de R$ 1 milhão para a obra de infraestrutura em Jaraguari. O primeiro aditivo identificado após a posse de Fiorese foi assinado em 9 de fevereiro, apenas sete dias depois da nomeação oficial, e acrescentou R$ 1.515.539,73 ao contrato de manutenção rodoviária em Três Lagoas. O valor total do contrato passou de R$ 11,5 milhões para R$ 13 milhões. O documento foi assinado por Fiorese e pelo empresário Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa, dono da Rial e um dos presos na operação.
Somados, os contratos atualizados ligados à Rial alcançam R$ 27,7 milhões. Os R$ 15,8 milhões identificados pela reportagem correspondem a empenhos, reajustes e movimentações autorizadas durante a gestão de Fiorese na Agesul. A Rial aparece no centro da investigação do Gecoc. Antônio Bittencourt Jacques Pedrosa e o pai dele, Antônio Roberto Bittencourt Teixeira Pedrosa, foram presos preventivamente na operação. Mais da metade dos R$ 429 mil em espécie apreendidos estavam na casa do empresário Antônio Roberto. Outra parte do dinheiro vivo (R$ 186 mil) foi encontrada na residência de Fiorese.
A operação também levou à prisão servidores ligados ao setor de tapa-buraco da Capital, incluindo o engenheiro Mehdi Talayeh e o gerente Edivaldo Aquino Pereira, posteriormente exonerados. Os sete presos foram mantidos na prisão nesta quarta-feira (13) depois que o juiz de custódia Francisco Soliman homologou os mandados e não analisou pedidos de liberdade. Os advogados William Maksoud Machado e Ricardo Machado, que representam Antônio Bittencourt e Antônio Roberto, entraram com pedido de relaxamento de prisão. A defesa de Rudi Fiorese encaminhou nota alegando que a prisão é “desarrazoada e não se coaduna com a história construída” pelo cliente. A reportagem consultou o Governo de MS e aguarda retorno.
