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Brazil bacteria behind Ype contamination linked to MS hospital outbreak

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de 24 itens da marca Ypê no último dia 7 de maio, após identificar risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. A medida afetou detergentes, sabões líquidos e desinfetantes fabricados pela Química Amparo, em Amparo, interior de São Paulo.

A Pseudomonas aeruginosa é multirresistente a antibióticos e associada a mortes. Segundo a Anvisa, a bactéria preocupa por sobreviver em ambientes hostis e resistir a vários medicamentos, podendo causar infecções graves em pessoas imunossuprimidas, hospitalizadas ou com feridas abertas.

No dia 8 de maio, a decisão que interrompia a fabricação e comercialização dos produtos foi temporariamente suspensa, após a indústria apresentar recurso administrativo à Anvisa. O órgão manteve o alerta sanitário e orientou consumidores a não utilizarem produtos com lotes terminados em número 1, devido a falhas graves de produção identificadas na planta industrial da Química Amparo.

A agência informou que os consumidores devem procurar o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da fabricante para orientações sobre recolhimento, troca, devolução e ressarcimento. A Ypê informou que já havia iniciado, em novembro de 2025, um recall voluntário de alguns lotes de lava-roupas líquidos após identificar a presença da bactéria em produtos específicos.

Em janeiro deste ano, casos de contaminação pela bactéria em Campo Grande foram parar na Justiça. Uma mulher de 41 anos denunciou ter desenvolvido infecção após aplicação de ácido hialurônico em procedimentos feitos entre setembro e outubro de 2025 em uma clínica da capital sul-mato-grossense.

Segundo a ação judicial, a paciente apresentou uma bolha na testa após a segunda sessão e precisou ser internada. Após confirmação de contágio pela Pseudomonas aeruginosa, recebeu medicação intravenosa. A paciente afirma que ficou afastada do trabalho por cerca de 30 dias, teve despesas médicas e ficou com sequelas estéticas. Outra cliente relatou complicações após procedimento realizado pela mesma profissional, incluindo hematomas, dormência e perda de sensibilidade no rosto.

A clínica informou, por meio da assessoria jurídica, que contesta as acusações e afirmou que toda a assistência necessária foi prestada às pacientes. Ainda não houve decisão judicial.

A presença da bactéria em Mato Grosso do Sul remonta a 2003 e 2004. O surto foi registrado no Hospital Regional de Campo Grande. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investigou ao menos 31 mortes de pacientes contaminados entre janeiro e setembro de 2003.

Relatório da Vigilância Sanitária Estadual apontou a presença da bactéria em lavatórios para mãos e em pia usada para preparo de medicamentos. Conforme documentos enviados à Promotoria, 61 pacientes foram contaminados e metade morreu. A direção do hospital afirmou que a presença da bactéria não significava necessariamente a causa das mortes e declarou que não houve óbitos provocados por infecção hospitalar naquele ano. O caso foi arquivado em 2004 sem conclusão e punições.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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