O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e a Segurança Pública não se manifestaram sobre a ordem de prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), o Neno Razuk.
Desde o dia 8, o Campo Grande News tenta saber qual órgão vai cumprir a decisão e se o ex-deputado já é considerado foragido. A reportagem enviou perguntas ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), à Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), à Polícia Civil e à Polícia Militar, mas não houve resposta.
A defesa de Neno Razuk informou nesta quinta-feira (9) que foi pessoalmente ao Gaeco, mas ainda não tem informações sobre o pedido e a decretação da prisão. O advogado Roberto Razuk Neto disse que a defesa não teve acesso ao pedido nem ao decreto prisional e que aguarda para definir as próximas medidas.
Neno Razuk é alvo da Operação Successione desde dezembro de 2023. Ele foi condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão por organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho, mas recorria em liberdade.
Em maio, após recontagem de votos pela Justiça Eleitoral, Neno perdeu o mandato na Assembleia Legislativa. Sem o cargo, ele perdeu o foro por prerrogativa de função, que permite que autoridades sejam julgadas diretamente por tribunais.
Além da condenação, o ex-deputado é réu na quarta fase da Successione, realizada em 25 de novembro de 2025. Essa fase prendeu Roberto Razuk, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk. Roberto é pai de Neno, e os outros dois são irmãos dele. Segundo o MPMS, o trio forma o núcleo duro da organização criminosa.
A Successione investiga os crimes de organização criminosa, roubo, corrupção passiva e ativa, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e exploração de jogos de azar. Durante as investigações, foram apreendidas mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em dinheiro. Documentos financeiros apontam a compra de bens em nome de terceiros para ocultar a origem do dinheiro.
A primeira fase da operação foi deflagrada pelo Gaeco em 5 de dezembro de 2023, após uma disputa pelo jogo do bicho em Campo Grande. O ex-deputado sempre negou envolvimento com o crime.
